Crianças morreram após comer lichia

lichia

Todos os anos, conforme a temperatura subia na Índia, mais especificamente na cidade de Muzaffarpur, ocorria sempre a mesma tragédia: pais levavam seus filhos, que estavam saudáveis na noite anterior, para o hospital. As crianças apresentavam convulsões e depois entravam em coma. Cerca de 40% delas acabavam morrendo. Isto durava até julho e depois essas mortes misteriosas acabavam de forma tão repentina quanto tinham começado.

Um estudo publicado na revista científica The Lancet nesta semana explica que a doença é causada pela ingestão de lichia quando a criança está de estômago vazio.

A descoberta aponta que a fruta contém altas doses de hipoglicina, uma toxina que inibe a capacidade do corpo de sintetizar a glicose. Depois que coletaram o material genético de 300 crianças afetadas, os médicos descobriram algo em comum. Muitas delas tinham um nível baixo de açúcar no sangue e por isso tinham o dobro de chance de morrer. “Uma das coisas que ouvimos várias vezes das mães era que as crianças não jantavam direito”, disse ao jornal americano The New York Times a pesquisadora Srikantiah. A hipoglicina, combinada com os estômagos vazios, era a responsável, então, pelas mortes.

Além disso, havia algo comum em todos os casos: as crianças não tinham comido de maneira adequada no jantar e depois haviam comido muita lichia. Ou seja, as crianças já estavam com o nível de glicose baixo no organismo porque não tinham consumido uma refeição e então comiam lichia, que fazia estes níveis de glicose caírem ainda mais! Com a glicose baixíssima no organismo, algumas crianças, especialmente as menores, desenvolviam problemas repentinos e graves em seus cérebros, encefalopatia, e acabavam falecendo.

Desde que os médicos passaram a recomendar que os moradores não deixem as crianças ficarem muitas horas sem se alimentar e restrinjam a quantidade de lichias consumidas por dia, o número de mortes começou a cair.